As consequências do Apartheid



A copa do mundo deste ano será sediada na África do Sul, fato que me deixa uma dúvida intrigante: nós veremos negros nativos nos estádios, torcendo por sua nação? Alguns leitores devem estar pensando “Claro que sim, afinal, a maioria da população de lá é negra”. Dedução óbvia, mas temo que as sequelas que o Apartheid deixou não permitirão que assim seja.


O Apartheid foi uma doutrina que pregava a desagregação racial, onde as leis privilegiavam os europeus e oprimiam os não-europeus. Os negros deviam pagar para colocar seus filhos em escolas onde a educação era voltada para o trabalho servil – a chamada Educação Banto -, enquanto os brancos usufruíam de instrução grátis e de qualidade. A jornada máxima de trabalho prevista por lei era de 48 horas por semana, os negros trabalhavam cerca de 60 para receberem menos do que o nível mínimo de pobreza. Os africanos não podiam frequentar os lugares habitados por brancos, a não ser por trabalho, e ainda assim, aqueles deviam passar por portas específicas para empregados, enquanto estes utilizavam a entrada principal. Além disso, a lei de passes determinava onde o afro iria viver e trabalhar, e caso o passe fosse violado, a sentença seria a cadeia. Dentre essas malvadezas, ainda havia toque de recolher para negros, ou seja, a partir de certo horário, a maioria da população sul-africana se via na obrigação de se esconder nos seus guetos. Os governantes da África do Sul afirmavam com total convicção que os pretos só serviam para vender sua mão-de-obra e que igualdade não era para eles; e notem que as perversidades recém citadas são apenas um resumo das opressões desse regime político.


É impossível falar de Apartheid sem citar Nelson Mandela, que se destacou por sua luta pela equivalência racial. Mandela trabalhou como advogado, participou da Liga da Juventude e em seguida tornou-se membro do Congresso Nacional Africano (ANC), tentando de forma diplomática lutar pelo direito dos negros e mestiços. Também liderou manifestações pacíficas, como a Campanha da Desobediência em 1952, que consistia em ignorar as leis de passe e o toque de recolher. Em 1962, foi preso e condenado à prisão perpétua, acusado de traição por tentar de implantar o Comunismo – denúncia sem nexo. Após 28 anos de penitência, Mandela foi liberto e depois de alguns anos se tornou presidente.


Ao tomar conhecimento desses marcos da história, eu me questionei sobre o potencial (e interesse) da ONU. Não podemos afirmar que as Nações Unidas ficaram inertes sobre o regime discriminatório da África do Sul, pois fizeram boicotes sobre a mesma de forma a pressioná-la, mas verdade seja dita: o Apartheid foi proposto em 1948 e só teve fim pela Constituição em 1994. Foram mais de quarenta anos de vida subumana ao lado mortes e prisões injustas. Diante disso, não sei dizer se a ONU pode mesmo garantir a paz mundial ou se não passa de uma grande burocracia. Fico na dúvida...


Mal fazem vinte anos do fim dessa doutrina racista, tempo insuficiente para que a diferença racial se estabilize. A desigualdade na África do Sul ainda existe e vai perdurar por anos, e que sirva o Brasil de exemplo – mesmo após 150 anos da abolição da escravatura, é difícil vermos um médico negro, mas sobre acharmos um limpando o chão não se pode dizer o mesmo. Então, caro leitor, é possível vermos os sul-africanos negros nas arquibancadas nos jogos da copa? Certamente veremos alguns, mas serão pouquíssimos, infelizmente.

Adolescência - uma metamorfose ambulante


Olá pessoal! Parece que o blog morreu, né? Mas só parece, e peço desculpas pela falta de compromisso com o mesmo. Por infortúnio, meu ânimo e minha criatividade entraram em coma profundo e só agora resolveram acordar. Se há um adjetivo que possa ser empregado a mim nesses dias, certamente seria relaxado.


As palavras a seguir são dedicadas ao público alvo desse blog: os adolescentes. Aqueles que assim como eu estão passando por talvez a melhor e a mais complicada fase da vida, onde mudanças físicas e psicológicas são agentes que muito nos perturbam, nos confundem, nos animam e principalmente, nos amadurecem.


“Eu quero viver essa metamorfose ambulante”. Esse trecho da música do Raul Seixas, em minha visão, indica o termo que melhor definiria a adolescência – uma metamorfose ambulante. Essa transformação nos faz com que queiramos ser reconhecidos como adultos, mas ao mesmo tempo só desejamos curtir a vida como crianças, afinal, esta fica gradativamente mais complexa e dificultosa, à vista que os primeiros “problemas” surgem e nos atormentam. Nosso corpo muda radicalmente, a menina ganha regras e o varão se vê na necessidade de passar uma navalha no rosto com certa frequência. Nós discutimos com nossos pais por mais privacidade, e até por independência, mas na verdade somos completamente dependentes deles, já que na maioria dos casos são eles que nos sustentam, educam e mimam.


Na puberdade, nossos hormônios estão à flor da pele. A moça se apaixona pelo rapaz e vice-versa. Aliás, o amor é um tema deveras complicado, principalmente para o adolescente, que ainda não possui a cabeça no lugar. A “doença” chamada paixão possui sintomas como deixar o doente bobo ou corado feito pimenta quando na frente do (a) amado (a), e deixá-lo nervoso e pensativo em sua ausência. Por outro lado, também há tempos que a única tentação é a de se pegar nos beijos com qualquer um (uma), que é saciada pelo popular ato do “ficar”. Enfim, amor é um tema muito extenso e merece um texto dedicado, que prometo que um dia o farei.


Também estamos em constante pressão, e um bom exemplo disso é o ato de tragar bebidas alcoólicas. Presenciar nas baladas os amigos animados com um copo de cerveja e te dizendo “Experimenta! É legal!”. É provocativo e tentador, e o pior de tudo a é que há muitas vezes em que o pessoal não bebe porque curte saborear a bebida, mas porque quer ficar embriagado. Em minha opinião, essa é a maior furada: o indivíduo perde a razão, faz sabe se lá o quê, no dia seguinte fica com uma bela ressaca e não se lembra de nada da noite anterior, aí depois o pessoal todo comenta entre si “ei, você viu que fulano fez isso?”. Como diz o ditado, “cu* de bêbado não tem dono”.


Há algo mais que muda deveras no conceito do adolescente: a importância do estudo. No início, vamos à escola pensando “affff, por que eu tenho que ir?”, mas quando se entra no Ensino Médio, essa visão aos poucos é substituída pela ideia de que te falta pouco tempo para que você se torne maior de idade e que brevemente entrará numa faculdade. Nisso, a responsabilidade com os estudos aumenta de carona com a preocupação de que carreira deve-se seguir. É fantástico! Digo isto porque este ano é meu último no Ensino Médio e que em 2011 estudarei aquilo que tanto gosto (física, hehehe) ao lado de pessoas que possuem o mesmo interesse que eu. Também estarei trabalhando e poderei tirar minha carteira de motorista. Putz! Simplesmente fantástico!


Pois bem, termino o desabafo aqui. De girino a sapo, de lagarta à borboleta, de criança a jovem. A adolescência é demais!


*Nota: Cu não tem acento!