A princípio, a proposta do título não é complicada; contudo, para direcionar este verbo a alguém é necessário entender sua semântica, que é complexa e intrigante. Por isso venho tentar descrever o amor, sobretudo o amor causado pela paixão, que faz homens amarem mulheres e vice-versa, ou homens amarem homens e mulheres amarem mulheres.
Comecemos nossa análise: o que é amar?
A meu ver, amar é sustentar um sentimento por alguém forte o suficiente para que suas prioridades estejam voltadas ao mesmo. É mostrar sua essência ao amado e a ele dedicar suas virtudes, sentir-se angustiado por seu infortúnio e feliz por seu triunfo, protegê-lo com seu próprio corpo, se necessário.
Normalmente, essa é a condição é comum entre familiares - principalmente com pais e filhos - apesar de existir também entre pessoas sem algum laço sanguíneo em comum. Este é o amor. Mas o que qual é a definição do entusiasmo que sentimos ao notar a presença de alguém, ter prestígio por ela e desejar agradá-la, acariciá-la, abraçá-la e beijá-la e muitos outros á-la? Isto eu chamo de paixão.
Paixão não significa amor. A paixão é involuntária, se caracteriza por ser uma atração física e/ou psicológica por alguém, podendo também ter uma causa física e/ou psicológica – a admiração de uma personalidade ou a tentação corporal gerada por hormônios. Ela obstina o apaixonado, deixa a maior parcela de seu pensamento voltada a certo ciclano e satisfaz seu Ego por conquistar a atenção do sujeito. Entre estas e outras conseqüências deste sentimento, a mais relevante é a possibilitar a transformação do apaixonado em amador e de sua paixão em amante.
O que separa o amor e a paixão é uma tênue linha, que pode ser rompida com um simples esbarro. E quando isso acontece, das duas uma: ou amante e amado se amarão e gozarão de inúmeras felicidades, ou o primeiro cairá em desgraça por não ter reciprocidade do segundo. O amador que não é amado entristece, perde a razão e se deixa ser movido pela emoção; torna-se vulnerável a maldades, deboches e explorações, além de mudar seu modo de lidar com o próximo. Em contraposição, quem tem paixão e amor correspondidos usufrui de volúpia única, que sobrepuja qualquer natureza de infelicidade.
É sábio discriminar estes dois sentimentos. Quem sofre de dor de paixão não precisa sofrer de dor de amor, basta não dizer Eu Te Amo a quem não quer ser amado, afinal, hora ou outra a paixão será dissipada com o tempo. Também não se deve conjugar o verbo Amar quando não se ama, Eu Te Amo não é Bom Dia.
